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Noite de muitas discussões em torno de solução para problema de transporte público em Aracruz

Embora sem a presença maciça de usuários, prejudicada pela falta de horários disponíveis de coletivos, as discussões foram bastante produtivas.

Publicada em 20/10/23 às 17:50h - 205 visualizações

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Noite de muitas discussões em torno de solução para problema de transporte público em Aracruz
Problema - Plenário vazio em audiência pública sobre transporte público  (Foto: Divulgação - Youtube)

O ideal era ter o plenário Hélio Santana de Araújo lotado durante a audiência pública realizada nesta quinta-feira (19 de outubro) para discutir a possibilidade de Aracruz compor a Região Metropolitana de Vitória, focando principalmente no problema do transporte público.


Não foi assim. Mesmo com baixo quórum, as discussões foram bastante acaloradas e alguns dedos foram apontados na direção da falta de eficiência da viação Cordial que atualmente atende o município.


A audiência pública foi dividida em dois blocos: o primeiro com a exposição e defesa de ideias em torno da inclusão de Aracruz na região da Grande Vitória e o segundo com diversos questionamentos.


SOCIEDADE CIVIL


A possibilidade de passar a compor a região metropolitana foi defendida pelo representante do Sindicato dos Servidores Municipais de Aracruz (Sisma), Júlio Cezar Florentino Perini, que acredita na melhor oferta de transporte com a inclusão de Aracruz na rota atendida pelo Sistema Transcol. A Grande Vitória é composta por Vitória (capital), Vila Velha, Cariacica, Viana, Serra, Guarapari e Fundão. Ele destacou o orçamento estadual voltado para as questões do transporte coletivo.


"Estão previstos em torno de R$ 238 milhões para a questão do transporte coletivo que abrange o Mão na Roda. Esse é um bolo que Aracruz não pode comer nem um pedaço. O Governo do Estado não pode repassar verba para Aracruz. Em um passado recente foi tentado conseguir uma verba para Aracruz, para atender principalmente a Escola Primo Bitti. E não foi possível. E por quê? Porque Aracruz não faz parte da Grande Vitória”, lembrou Júlio.


E ele assinalou ainda:


“É muito importante a inclusão de Aracruz. Por que? Se Aracruz entrar na Grande Vitória, desses R$ 238 milhões, Aracruz vai poder usufruir”.


A presidente da Associação dos Deficientes de Aracruz (Adea), Amariles Batista Aguilar, apontou a necessidade de um atendimento de transporte com acessibilidade na cidade.


“Nós precisamos muito do Mão na Roda em Aracruz. A gente vem lutando há muito tempo por isso. Não começou agora. Na gestão passada fizemos manifestação na porta da empresa, nas ruas, na frente da Prefeitura. Como sou conselheira do COMTRAT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte) conheço bem o problema do transporte. Não é legal, não é bacana. Precisamos de tarifas mais baixas no município e o Transcol vai trazer isso para a gente”, defendeu Amariles.


Ela ainda detalhou o quão constrangedor é para ela, cadeirante, ter que se deslocar em algum transporte. Disse que, embora conte com o respeito de motoristas que a conduzem, não gosta de ser segurada no colo para poder sair de casa.


“Preciso me deslocar de vez em quando. E preciso andar de carro. O que acontece? Sou pega no colo. Para sair e para entrar é a mesma coisa. Só que isso é uma agressão física e psicológica. São gentis comigo, mas ainda assim eu tenho o direito de não ter o meu corpo tocado por ninguém. Por isso que precisamos do Mão na Roda. São carros acessibilizados, com plataforma levadiça, em que você sobe com sua cadeira de rodas. A pessoa te ajuda, mas não toca seu corpo”, assegurou Amariles.


CETURB


Como as conversas em torno da possibilidade de inserir Aracruz na região metropolitana estão bem no início, o diretor-presidente da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo, Marcos Bruno Bastos, fez uma breve explanação das funções da empresa pública, que gerencia o Sistema Transcol, o transporte intermunicipal, o Sistema Aquaviário, a Rodoviária de Vitória e futuramente fará a administração da Rodovia do Sol (que liga Vitória a Guarapari).


“Hoje nós temos, no Sistema Transcol que atende os municípios da Grande Vitória, são 10 empresas de ônibus, divididas em dois consórcios, e cada empresa tem um lote, um percentual das linhas no município. Temos um sistema troncal, que são os terminais, e as linhas alimentadoras. Tenho dito aos vereadores e às pessoas que fazem esse debate do transporte com a gente sobre a possibilidade de atender Aracruz que hoje temos ferramentas tecnológicas que possibilitam essa expansão do sistema de transporte metropolitano para outras regiões que eventualmente, em dado momento, venham a integrar a Região Metropolitana”.


Ele explicou que a bilhetagem eletrônica permite que o passageiro, mesmo sem passar por um terminal, possa embarcar em outro coletivo pagando a mesma passagem. Basta que os dois coletivos façam parte da mesma integração. O passageiro passa o cartão e embarca até uma hora ou uma hora e meia em outro ônibus.


“Não estou fazendo aqui o debate da inclusão de Aracruz na região metropolitana, mas em ocorrendo essa integração nós não teríamos uma grande dificuldade de expansão do sistema que hoje atende os demais municípios”.


DEPUTADA IRINY LOPES


Autora da Proposta de Lei Complementar (PLC 48/2023) que inclui Aracruz na Região Metropolitana da Grande Vitória, a deputada Iriny Lopes (PT), não participou da audiência pública, porém enviou seu representante, Carlos Saar, que explicou o conflito de agendas da parlamentar, mas deixou clara a posição de defesa da inclusão da cidade na região metropolitana.


“O PLC surgiu de uma discussão, de uma sintonia, de diálogos travados com as comunidades e diversas lideranças desta cidade como uma alternativa legal para resolver um gargalo, um déficit que é a questão do transporte público, que envolve as comunidades e a grande maioria da população de Aracruz, que sofre com a falta de acesso à mobilidade. Tem mais ou menos cinco anos que a deputada vem fazendo o debate, buscando alternativas com os demais poderes, vem dialogando com o Governo do Estado, principalmente para buscar uma solução para esse problema”, explicou Carlos Saar.


VEREADORES


Líder do governo municipal, o vereador André Carlesso (PP), explicou que a Prefeitura de Aracruz contratou um estudo mais minucioso para fazer um raio-X da situação do transporte na cidade.


“Estamos com um profissional da Ceturb fazendo um estudo. Ele tem duas missões para cumprir com o governo. A primeira delas é fazer um estudo econômico-financeiro do nosso sistema. Analisar o sistema como um todo, como ele está e a partir desse estudo poder tomar algumas decisões. Temos em um segundo momento que é fazer a modelagem para avaliar uma possibilidade de um terminal de transbordo, ou não, na região de Barra do Sahy. Esse profissional, o Luiz Otávio, participou da implantação do Sistema Transcol e agora está nos auxiliando em Aracruz. Enquanto governo estamos fazendo essas duas coisas”, pontuou o vereador.


O vereador Jean Pedrini (Cidadania) fez uma fala bastante lúcida sobre o problema do transporte em Aracruz. Ele salientou que conhece bem o assunto, já que foi representante comunitário da Barra do Sahy, tendo participado de várias manifestações contra o sistema de transporte oferecido.


“Já participei do movimento, inclusive fechando rua. Tenho muito orgulho disso, não tem nenhum desmérito. Há mais de 20 anos nós fazemos esse movimento para buscar melhoria do transporte público em Aracruz. Essa é uma luta verdadeira, necessária e que já passou da hora de ser resolvida. Porém, é preciso fazer um debate aprofundado dessa questão do município entrar na região metropolitana da Grande Vitória”, apontou.


Segundo ele, Aracruz faz parte do Consórcio Polinorte e como tal goza de algumas vantagens. Ao lado de Linhares, Ibiraçu, João Neiva, Sooretama, Jaguaré, Aracruz faz as discussões orçamentárias da verba estadual. Em um cálculo rápido, Jean Pedrini explicou que a região possui algo em torno de 600 mil habitantes. 


“A gente indo para a região metropolitana, vamos fazer a discussão orçamentária junto com outros municípios que tem mais de dois milhões de habitantes e municípios grandes como Serra, Cariacica, Vila Velha. A discussão não é só do Transcol. Ela é mais ampla”, insistiu Pedrini.


Outro diferencial apontado pelo vereador é que Aracruz compõe a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), o que segundo ele, deve ser observado com bastante atenção.


“A inclusão do Transcol é só para a Orla? É só até a fábrica? E quem está em Coqueiral e vai para Irajá, Caieiras Velha? Então, o problema é mais amplo do que nós simplesmente entrarmos na região metropolitana”, destacou Jean Pedrini.


A vereadora Rhayrane Pedroni (PC do B), que também é uma das primeiras participantes do Movimento #NossaAracruz, fez um discurso que tocou no ponto nevrálgico.


“É com muita vergonha que venho a essa tribuna, mais uma vez, falar do transporte público. Isso só mostra que falta gerência. Infelizmente temos que recorrer ao Governo do Estado para tratar de um tema que deveria ser municipal. Estamos pedindo socorro ao governo. Então, isso é sintomático, isso é grave. A gente precisa, sim, tocar nesse assunto. Não temos muita perspectiva de melhoria do transporte, quando a gente fala em Setrans. Recebi uma auditoria do Tribunal de Contas, de 2022. E o que tem aqui nessa auditoria é lamentável, é triste, é uma coisa horrorosa”.


E continuou:


“A pessoa responsável pelo transporte público foi multada, recorreu, e o Tribunal de Contas rejeitou. E é a pessoa responsável pelo transporte público no município, que é o Jayme Borlini. Então, qual é a esperança, a expectativa que dá para a gente? Em relação ao Transcol, eu gostaria muito de escutar a população da Orla, porque é um assunto falado na Orla. Gostaria de ouvir mais os usuários e usuárias da Orla”.


A vereadora deixou registrado em seu discurso a ausência de pessoas da Orla, justamente por conta do problema do transporte.


“O plenário deveria estar cheio e não está porque não tem horário disponível. Aquela palhaçada que a Cordial fez com o pessoal da Orla continua. Diminuíram os horários. Isso é muito lamentável.


PARTICIPAÇÃO POPULAR


A professora Milene Week fez uma das falas mais contundentes da noite, quando elaborou sua pergunta voltada para os representantes do Legislativo Municipal e também do Executivo Municipal, e apontou a ausência de direitos quando o acesso a esses mesmos direitos é prejudicado por falta de transporte.


“Têm noção dos direitos que são negados à população de Aracruz com essa problemática do transporte? Não é só uma questão de mobilidade urbana, nós estamos falando do direito à educação negado quando temos estudantes que não estão chegando no horário em suas escolas, nós estamos falando de vulnerabilidade social quando nós temos estudantes que ficam horas expostos no meio de uma rua aguardando voltarem para seus lares. Nós estamos falando do direito à saúde que é negado quando a população não tem como chegar numa unidade de saúde, quando não tem como chegar num hospital que foi privatizado no município porque não tem transporte”. 


E a professora completou:


“Quando faremos a audiência na Orla e na região de Guaraná e Jacupemba. Primeiro parabéns por estarem realizando. O caminho é esse. Vamos agora para a próxima na Orla, e também em Guaraná e Jacupemba. E vamos resolver o problema? Porque não dá para ficar com os estudantes na rua perdendo aula. Vamos resolver o problema. A escola é estadual, mas os estudantes são de Aracruz. Porque os pais deles pagam os impostos deles nesta cidade”.





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